Assisti a uma palestra do Wim Wenders na segunda e foi incrível, porque o tema era, basicamente, o que ele chamou de “sense of place”. Desculpem, mas não sei como traduzir isso, e por isso prefiro manter o original. Bem, o que ele estava dizendo é que são os lugares que inspiram as histórias (no caso dele), e que os filmes que ele gosta de assistir são aqueles cujas histórias não poderiam se passar em algum outro lugar, senão naquele que se passam. Compartilho totalmente dessa visão. Também acho que os lugares é que fazem as ações, e não que as ações simplesmente estão inseridas num lugar qualquer. Talvez soe um pouco naturalista, mas não é bem isso (embora eu não possa dar uma explicação convincente a esse respeito). Quase todas as minhas histórias nasceram de um lugar, real ou imaginado, não importa, e quando se começa a rechear esse lugar de detalhes e de impressões que esses detalhes causam, as personagens e o que pode acontecer com elas parece que tudo isso vem naturalmente, como uma exigência do próprio lugar.
E a importância do espaço no que eu escrevo também se reflete, é claro, no que eu gosto de ler, de modo que me irrita muito aquela sensação (talvez eu já tenha falado sobre ela) de ler um texto que me dê a impressão de que duas pessoas trocam palavras numa sala toda branca. Parece que o clima de um texto (clima é um troço pra lá de abstrato, mas tudo bem) é construído muito mais através do ambiente do que através das suas personagens.
Tudo bem, posso estar sendo radical, mas penso assim até que me provem (bem provado) o contrário. Talvez haja literatura de espaço e literatura de personagem. Ah, ok, vou parar por aqui, antes que o próximo maniqueísmo se apresente.
August 20, 2008
