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	<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 12:01:58 +0000</pubDate>
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		<title>Fim</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 12:01:58 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Adiei isso por um tempo, mas deixar assim, sem atualizar, é pior: hoje oficialmente encerro as atividades por aqui. Acabei assumindo algumas coisas (um blog no qual devo postar com bastante regularidade, por exemplo) que me impedem de dar a esse blog a devida atenção. Ainda mais porque sempre fui bem rigorosa com os posts [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Adiei isso por um tempo, mas deixar assim, sem atualizar, é pior: hoje oficialmente encerro as atividades por aqui. Acabei assumindo algumas coisas (um blog no qual devo postar com bastante regularidade, por exemplo) que me impedem de dar a esse blog a devida atenção. Ainda mais porque sempre fui bem rigorosa com os posts aqui. Gostava de levar tempo escrevendo-os, embasando-os, o que, você pode notar, foi-se perdendo ao longo do tempo. Como não quero continuar baixando a qualidade, é melhor terminar por aqui.<br />
O romance também entrou numa fase delicada, que me permite pensar menos no processo, tamanho o trabalho e o cansaço que dá revisar, reescrever, enfim, trabalhar com o que já está criado, e saber o que se guarda, o que se descarta, e o que se muda de ordem (e o grande esforço que é enxergar o texto como maleável). Mas até isso eu acho que eu já disse em outra ocasião.<br />
De todo o modo, ficam aqui os arquivos.<br />
E, no <a href="http://www.carolbensimon.com">carolbensimon.com</a>, há tudo o que é necessário para me encontrar.<br />
A próxima etapa é ministrar uma oficina. ;)<br />
Gracias a todos.</p>
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		<title>Personagem-Leitor</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 12:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#8220;O interesse que sentimos pelos personagens não vem, portanto, daquilo que reconhecemos em nós mesmos (somente os romances mais grosseiros fazem uso desse processo), mas daquilo que aprendemos sobre nós mesmos. A verdade que emana de nossa interação com as figuras fictícias é, com muita freqüência, uma verdade ignorada. É a diferença, e não a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O interesse que sentimos pelos personagens não vem, portanto, daquilo que reconhecemos em nós mesmos (somente os romances mais grosseiros fazem uso desse processo), mas daquilo que aprendemos sobre nós mesmos. A verdade que emana de nossa interação com as figuras fictícias é, com muita freqüência, uma verdade ignorada. É a diferença, e não a semelhança, que permite descobrir-se. Os personagens mais interessantes são aqueles que vão ao encontro das supostas inclinações do leitor.&#8221;</p>
<p>Esse é um trecho do livro L&#8217;effet-personnage, de Vincent Jouve, infelizmente não traduzido para o português. Um ótimo livro teórico sobre as diversas relações que se estabelecem entre personagem e leitor, e sobre o modo como varia, ao longo de uma mesma leitura, a percepção do leitor frente aos personagens: do personagem como peão, ou seja, o leitor vê o personagem claramente como um elemento de um universo criado (o livro), que é o que a ficção pós-moderna com tendências META faz em demasia; ao personagem como aquele que transgride, que passa pela experiência pela qual o leitor desejaria passar, mas reprime (e portanto ele a vive através do personagem).</p>
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		<title>Post-Resposta</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 14:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Epa. Venho para lançar umas frases confusas a respeito de um comentário, do Rodrigo Fortes, deixado no post aí de baixo. Reproduzo o comentário:
Engraçado essa conversa de forma e conteúdo. Apesar dos argumentos “prós” sou um pouco contrário a esse ponto de vista. Pergunto se o contrário é viável: o conteúdo muda a forma? Ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Epa. Venho para lançar umas frases confusas a respeito de um comentário, do Rodrigo Fortes, deixado no post aí de baixo. Reproduzo o comentário:</p>
<p><em>Engraçado essa conversa de forma e conteúdo. Apesar dos argumentos “prós” sou um pouco contrário a esse ponto de vista. Pergunto se o contrário é viável: o conteúdo muda a forma? Ou não, ele é somente alguma substância maleável que fica o tempo inteiro se modificando ao sabor da forma? No final Carol, parece-me que quem faz o conteúdo sou eu, que estou lendo o seu romance, e não você, que está fazendo a forma.</em></p>
<p>Claro, o conteúdo muda a forma. Os dois influenciam um ao outro, e acabam se tornando meio indissociáveis no processo. Para começo de conversa, o meu conteúdo determinou a minha forma: pela natureza da história que eu queria contar, pareceu-me que a melhor maneira de organizá-la seria num romance com vários narradores, porque assim eu poderia explorar a mesma história sob diversos pontos de vista. Obviamente, outros escritores chegariam a outras soluções, a outros caminhos. Seria, nesse caso, o mesmo conteúdo sob várias formas? Creio que, nesse ponto, a forma já teria provocado mudanças significativas no conteúdo, e as histórias seriam muito diferentes umas das outras; a organização é parte da história, a sintaxe é parte da história e, bom, isso é uma confusão dos diabos.<br />
(quanto mais penso sobre isso, mais percebo que é mesmo impossível separar forma e conteúdo)<br />
E o leitor? Tem uma participação criadora também, por certo. A obra é aberta, mas nem por isso é possível ao leitor recheá-la de <strong>qualquer significado</strong>. A obra põe os seus limites, e o leitor se movimenta livremente nela (mas sempre, de maneira paradoxal, dentro desses limites impostos).</p>
<p>(mau-humor básico de quem não está conseguindo resolver uma pendenga de certo capítulo - o 9, minha gente, a recém o 9! E mau-humor me faz perder clareza, e lá se vai o modo cartasiano. trágico)</p>
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		<title>O que aconteceu com o mestrado</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 18:41:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Personagem Ausente]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns sabem, outros não: o Sinuca embaixo d&#8217;água foi uma das partes da dissertação de mestrado que defendi em setembro. Junto com ele, havia um artigo sobre o que chamei de personagem ausente (nesse post falei um pouco sobre isso, embora o assunto fosse, na época, apenas uma vaga idéia). É curioso ir para uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns sabem, outros não: o <em>Sinuca embaixo d&#8217;água</em> foi uma das partes da dissertação de mestrado que defendi em setembro. Junto com ele, havia um artigo sobre o que chamei de <strong>personagem ausente</strong> (<a href="http://www.carolbensimon.com/sinuca/?p=4" target="blank">nesse post</a> falei um pouco sobre isso, embora o assunto fosse, na época, apenas uma vaga idéia). É curioso ir para uma banca de dissertação com o formato romance + parte teórica, e obviamente os professores tampouco estão habituados a isso, de modo que eu temia muito que toda a discussão fosse focada no capítulo teórico da dissertação e que o romance passasse em branco. Acredite, já vi isso acontecer. Bom, no fim das contas, não foi assim que se passou, e os comentários sobre o Sinuca foram bem interessantes, sobretudo os da Janea Tutikian (devo dizer, sem falsa humildade, que o pessoal da banca gostou muito do romance, o que me tranqüilizou imensamente, e ainda mais levando em conta que a versão apresentada era uma versão que eu já nem gostava mais. Ui ui ui, esses escritores).<br />
Mas o mais interessante foi a reação que o último capítulo causou na Jane: ela odiou. Ela disse que parecia aqueles histórias que nos envolvem até o limite para depois acabarem num &#8220;então era tudo um sonho&#8221; ou sei lá. Resumindo, ela argumentou, com bastante propriedade, que aquele capítulo estragava tudo. Ok, só pra esclarecer: não era um sonho, mas era uma espécie de interferência do autor que me parecia bonito e eficiente na época. Só que infelizmente - ou felizmente, porque pior seria ter percebido isso ainda mais tarde, ou simplesmente não ter percebido de todo - o capítulo não pôde resistir à distância temporal e à argumentação da Jane. Isso não significa, claro, simplesmente retirá-lo e fazer do antepenúltimo um último. O novo último precisa ganhar a cara de último. De toda a maneira, todos os capítulos estão virando outra coisa. E com isso vejo que até os personagem se transformam (o que prova ao descrentes que a forma define o conteúdo): o menos inteligente de todos torna-se mais perspicaz (descoberta número sei lá o que: narradores burros é coisa inadmissível) e o mais seco, por sua vez, está levemente poético.</p>
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		<title>Quais são suas influências?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 09:57:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mondo Literário]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu fico mesmo nervosa se me perguntam de influência. Influência é, além de livro, filme, mundo, canção, mal-estar. Mas eles querem é saber de Autores (preferência pelos canônicos, e que não seja precisa soletrar). Tudo bem, eu respondo, até porque a gente sente a gratidão besta de estar ganhando espaço (e, além do mais, eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fico mesmo nervosa se me perguntam de influência. Influência é, além de livro, filme, mundo, canção, mal-estar. Mas eles querem é saber de Autores (preferência pelos canônicos, e que não seja precisa soletrar). Tudo bem, eu respondo, até porque a gente sente a gratidão besta de estar ganhando espaço (e, além do mais, eu mesma, leitora de entrevista com letrado, gosto de saber das influências, para encaixar redondinho o sujeito no meu diagrama literário). Acontece que há dois grandes problemas, que muito me atormentam, em responder sobre escritores favoritos e influências potenciais: o primeiro é que espera-se que você cite autores, e não obras. Mas eu não leia autores, eu leio obras. Quer ver? <strong>Uma casa no fim do mundo</strong>, do Michael Cunningham, está na minha lista de livros arrebatadores e grandes influências. Semana passada, li o último livro do Cunningham, <strong>Specimen days</strong>. É uma grande, uma imensa porcaria. Li em francês, mas creio que isso não é muito significativo, uma vez que o Cunningham não pode ser considerado um cara que trabalha muito a linguagem, e uma vez que tampouco li <strong>Uma casa no fim do mundo</strong> no original.<br />
(Cunningham talvez tenha tentado se libertar dos seus temas obsedantes, como homens morrendo de AIDS, mas século XIX e alienígenas caíram muito, muito mal. Não por ser século XIX ou alienígenas, mas porque realmente ele não consegue falar disso com propriedade, nem com aquele percepção tão tocante do humano que a gente vê nas outras obras do cara.)<br />
O segundo problema é que, se você cita tal pessoa, parte-se do princípio que você leu a obra completa dela + bibliografia do sujeito + o diabo a quatro. Como dizer que Woody Allen pode ter sido importante para mim, se eu não vi toda a sua centena de filmes?<br />
De qualquer forma, uma frase escutada numa esquina escura pode dar o tom de toda uma obra.</p>
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		<title>Saí, já volto</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 10:36:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Voltarei em breve (e também ao romance). Só questão de chegar a Internet em casa.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Voltarei em breve (e também ao romance). Só questão de chegar a Internet em casa.</p>
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		<title>Aham</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 00:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
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(Everything is illuminated, Jonathan Safran Foer)
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;With writing, we have second chances&#8221;.</p>
<p>(<i>Everything is illuminated</i>, Jonathan Safran Foer)</p>
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		<title>Banca</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Sep 2008 21:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Amanhã vou defender minha dissertação. Aquela sobre personagem ausente. Certamente farei um post sobre isso. Por enquanto, estava era sofrendo o diabo para escrever o textinho formal de apresentação que tenho que ler. Mas tentei colocar umas pitadas de informalismo, pretensão e provocações nele. Obviamente não vai prestar.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Amanhã vou defender minha dissertação. Aquela sobre personagem ausente. Certamente farei um post sobre isso. Por enquanto, estava era sofrendo o diabo para escrever o textinho formal de apresentação que tenho que ler. Mas tentei colocar umas pitadas de informalismo, pretensão e provocações nele. Obviamente não vai prestar.</p>
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		<title>De quem é a culpa?</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 00:05:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Eu gosto de listas, e gosto de promoções, portanto, quando fui ao Rio, comprei um belo capa dura papel couché chamado 501 must-read books, por $39. Surpreendeu-me, positivamente, o fato de que nunca ouvi falar de muitos daqueles livros. Sem fugir de Grande Gatsby, Som e a Fúria, Ficções, Madame Bovary e etc, há também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu gosto de listas, e gosto de promoções, portanto, quando fui ao Rio, comprei um belo capa dura papel couché chamado <strong>501 must-read books</strong>, por $39. Surpreendeu-me, positivamente, o fato de que nunca ouvi falar de muitos daqueles livros. Sem fugir de Grande Gatsby, Som e a Fúria, Ficções, Madame Bovary e etc, há também uma porção de coisas bem atuais (anos 2000, inclusive), ainda não canônicas. As resenhas, que não são propriamente resenhas, mas uma espécie de sinopse do livro, são bem ruins, mas aí volto com o argumento do adoro listas e não importa qual e como.<br />
Bem, mas o que eu ia dizer de verdade é que estava folhando o 501 must-read books e encontrei um chamado <strong>The Sweet Hereafter</strong> (O Doce Amanhã), de Russel Banks. É a história de um acidente com um ônibus escolar, numa pequena cidade da Nova Inglaterra, no qual uma porção de crianças morrem, e o acidente e suas conseqüências na comunidade são contados por quatro narradores diferentes. Achei bem próximo do Sinuca (tema &amp; múltiplos narradores), e por isso fui atrás pra ver se me ajudava a resolver uma coisa ou outra. Estou no início, mas já deu pra sacar que vai ser uma boa leitura. Fazendo um link com o post anterior: a cidade é muito bem caracterizada, quero dizer, não só no aspecto geográfico, mas nas relações entre os habitantes, relações típicas de cidade pequena. O primeiro parágrafo é bastante bom:</p>
<p>&#8220;Um cachorro - foi um cachorro que eu vi, com certeza. Ou achei que vi. Estava nevando muito na hora, e na neve a gente vê coisas que não estão lá, ou não estão exatamente lá, mas também deixa de ver algumas das coisas que estão lá, de modo que quando a gente vê qualquer coisa, meu Deus, acaba por reagir de alguma forma, errando para o lado materno, se é que você consegue captar o que estou querendo dizer. É esta a minha experiência de motorista, mas também o meu temperamento enquanto mãe de dois filhos crescidos e mulher de um inválido; assim, pelo menos quando erro, erro do lado dos anjos.&#8221;</p>
<p>A certa altura da sinopse, na contracapa, está escrito: &#8220;&#8230;quando o pior acontece, de quem é a culpa?&#8221;. Imediatamente me lembrei de Enduring Love (Amor para Sempre), do Ian McEwan, e do quanto gosto daquele livro (na verdade, o que gosto mesmo é a primeira cena, uma das melhores já escritas). A pergunta ao longo de Enduring Love é a mesma: de quem é a culpa? Talvez a pergunta do Sinuca também seja De quem é a culpa? E fiquei pensando mesmo que sou um pouco obcecada com isso, com morte, com culpa, com arrependimento, mesmo antes da vida maldosamente ter me dado um exemplo real.</p>
<p><b>Update</b>: terminei o primeiro capítulo de O Doce Amanhã e sabe quando é indispensável respirar fundo, ficar parada por alguns minutos e continuar lendo só no dia seguinte, porque até o momento já pesou uma tonelada? Pois.</p>
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		<title>Sense of place</title>
		<link>http://www.carolbensimon.com/sinuca/?p=52</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 19:34:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bensimon</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Processo Criativo]]></category>

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		<description><![CDATA[Assisti a uma palestra do Wim Wenders na segunda e foi incrível, porque o tema era, basicamente, o que ele chamou de &#8220;sense of place&#8221;. Desculpem, mas não sei como traduzir isso, e por isso prefiro manter o original. Bem, o que ele estava dizendo é que são os lugares que inspiram as histórias (no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti a uma palestra do Wim Wenders na segunda e foi incrível, porque o tema era, basicamente, o que ele chamou de &#8220;sense of place&#8221;. Desculpem, mas não sei como traduzir isso, e por isso prefiro manter o original. Bem, o que ele estava dizendo é que são os lugares que inspiram as histórias (no caso dele), e que os filmes que ele gosta de assistir são aqueles cujas histórias não poderiam se passar em algum outro lugar, senão naquele que se passam. Compartilho totalmente dessa visão. Também acho que os lugares é que fazem as ações, e não que as ações simplesmente estão inseridas num lugar qualquer. Talvez soe um pouco naturalista, mas não é bem isso (embora eu não possa dar uma explicação convincente a esse respeito). Quase todas as minhas histórias nasceram de um lugar, real ou imaginado, não importa, e quando se começa a rechear esse lugar de detalhes e de impressões que esses detalhes causam, as personagens e o que pode acontecer com elas parece que tudo isso vem naturalmente, como uma exigência do próprio lugar.<br />
E a importância do espaço no que eu escrevo também se reflete, é claro, no que eu gosto de ler, de modo que me irrita muito aquela sensação (talvez eu já tenha falado sobre ela) de ler um texto que me dê a impressão de que duas pessoas trocam palavras numa sala toda branca. Parece que o clima de um texto (clima é um troço pra lá de abstrato, mas tudo bem) é construído muito mais através do ambiente do que através das suas personagens.<br />
Tudo bem, posso estar sendo radical, mas penso assim até que me provem (bem provado) o contrário. Talvez haja literatura de espaço e literatura de personagem. Ah, ok, vou parar por aqui, antes que o próximo maniqueísmo se apresente.</p>
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