October 22, 2008

Quais são suas influências?

Category: Mondo Literário — bensimon @ 9:57 am

Eu fico mesmo nervosa se me perguntam de influência. Influência é, além de livro, filme, mundo, canção, mal-estar. Mas eles querem é saber de Autores (preferência pelos canônicos, e que não seja precisa soletrar). Tudo bem, eu respondo, até porque a gente sente a gratidão besta de estar ganhando espaço (e, além do mais, eu mesma, leitora de entrevista com letrado, gosto de saber das influências, para encaixar redondinho o sujeito no meu diagrama literário). Acontece que há dois grandes problemas, que muito me atormentam, em responder sobre escritores favoritos e influências potenciais: o primeiro é que espera-se que você cite autores, e não obras. Mas eu não leia autores, eu leio obras. Quer ver? Uma casa no fim do mundo, do Michael Cunningham, está na minha lista de livros arrebatadores e grandes influências. Semana passada, li o último livro do Cunningham, Specimen days. É uma grande, uma imensa porcaria. Li em francês, mas creio que isso não é muito significativo, uma vez que o Cunningham não pode ser considerado um cara que trabalha muito a linguagem, e uma vez que tampouco li Uma casa no fim do mundo no original.
(Cunningham talvez tenha tentado se libertar dos seus temas obsedantes, como homens morrendo de AIDS, mas século XIX e alienígenas caíram muito, muito mal. Não por ser século XIX ou alienígenas, mas porque realmente ele não consegue falar disso com propriedade, nem com aquele percepção tão tocante do humano que a gente vê nas outras obras do cara.)
O segundo problema é que, se você cita tal pessoa, parte-se do princípio que você leu a obra completa dela + bibliografia do sujeito + o diabo a quatro. Como dizer que Woody Allen pode ter sido importante para mim, se eu não vi toda a sua centena de filmes?
De qualquer forma, uma frase escutada numa esquina escura pode dar o tom de toda uma obra.

July 28, 2008

PDV, Bravo!, agenda

Category: Mondo Literário — bensimon @ 11:10 pm

Pausa no Sinuca para dar a agenda/informações do Pó de Parede (link ali do lado, na capinha, para sinopse & capítulo degustação). Já que as pessoas andam perguntando, vamos lá:

* Aqui em Porto Alegre, juro que tem na Cultura, Livrarias Porto, Palavraria, Bamboletras, Palmarinca, Livraria Terceiro Mundo (Campus do Vale).
* No interior do RS, tu encontra Pó em Caxias (Arco da Velha), Pelotas (Livraria Mundial), Novo Hamburgo (Digital) e Rio Grande (dentro da FURG, perdão, esqueci o nome). Mas fato é que dá pra tentar com seu livreiro favorito, ou o único da cidade, esteja onde estiver - parece que até em Santiago do Boqueirão o livro foi encomendado.
* Fora do RS, a Cultura é a grande opção. Para os estados do sul, tem a Curitiba/Catarinenses. A editora é jovenzinha, mas logo estará mais perto de ti. A partir dos lançamentos (coloco as datas logo abaixo), aumentaremos os pontos-de-venda no Rio e em São Paulo (digo, teremos pontos-de-venda no Rio de Janeiro).

Edição de agosto da Bravo!: vai sair um misto de matéria sobre mim e resenha do Pó, escrita pelo Luiz Ruffato. Baita orgulho. Curiosa pra ver.

Tá. Agora lançamento do Pó de Parede e demais títulos da Não Editora em São Paulo e no Rio.

São Paulo
07/08 (quinta) - Lançamento na Mercearia São Pedro (Rodésia, 34 - Vila Madalena), a partir das 19h30.
09/08 (sábado) - Os autores da Não lêem no Vocabulário, no b_arco (Dr. Virgilio de Carvalho Pinto 426 - Pinheiros), às 20h.

Rio de Janeiro
11/08 (segunda) - Lançamento na Livraria da Travessa Ipanema (Visconde do Pirajá, 572), a partir das 19h30.
12/08 (terça) - Os autores da Não lêem no Clube de Leitura da Baratos da Ribeiro (Barata Ribeiro, 354), às 20h.

Compareçam, ou me escrevam prum café.

May 26, 2008

Quando se tem outras coisas

Category: Mondo Literário, Processo Criativo — bensimon @ 7:47 pm

Quase ninguém pode se dar ao luxo de não fazer outras coisas, e escrever e basta. O pior de tudo é que, quando se tem outras coisas, além de tomarem algum tempo, acabam sendo de mais simples execucação e por isso, na grande fila de tarefas, tomam a frente. É porque o processo criativo tem esse tempo morto, que na verdade morto não é, esse tempo circular ou espiralado em que parece que nada evolui. Lidar com ele é complicado para quem não resiste ao prazer de riscar (literalmente) as obrigações da lista de obrigações. “Capítulo tal” é sempre o mais difícil de riscar. Mas vamos lá. Faltam dez. E dez é sempre contagem regressiva.

May 20, 2008

Voltei

Category: Mondo Literário, Processo Criativo — bensimon @ 9:42 pm

Opa, as desculpas sinceras pelo tempo longe em primeiro lugar, mas a culpa é da própria literatura, e do que vem junto dela. É que, sabe, estou em vias de lançar esse outro livro, esse outro livro chamado Pó de Parede, que é propriamente o meu livro de estréia, e assim eu sempre quis que fosse. Devo ter escondido tão bem o processo de escrevê-lo (durou um ano inteiro), que agora me dizem: mas que livro? Quando tu escreveu? É que só querem saber do livro-que-nem-nasceu-e-já-tem-prêmio. Eu rio de monte e digo Qualé, espera que tu vai gostar. Na verdade, me divirto e me incomodo em iguais proporções, porque hoje não basta ser um escritor velho e barbudo trancado em casa, tem que se colocar a cara nos periódicos e alinhar as estratégias mercadológicas e, por sorte!, na editora posso participar de todas as etapas e todas as decisões (sonho leonino). E, bem, enquanto me envolvo com essas coisas que são e não são literatura, tenho também que tocar o Sinuca, que complica-se cada vez mais. Chegou a hora digamos de começar a resolver tudo que estava aberto, o que leva a sessões torturantes de ficar perguntando coisas para si mesmo, do tipo Tá, mas se ele saiu da cidade, por que ele bla bla bla… e no fim tudo precisa ser convincente. É. Por exemplo, um dos grandes problemas agora é esse: tudo bem, sabemos que o Sinuca não é um livro policial nem nada que demande uma resolução fechadíssima, mas sabemos que, de certa maneira, o livro colocou uns mistérios aqui e ali, e o leitor ficaria muito frustrado se o livro acabasse sem nenhuma resposta. Só para variar, a solução é o equilíbrio. Chegarei lá. De modo que é preciso levar os personagens para passear no parque, e que eles falem, e que eles contem os seus problemas. Hahaha, é justamente assim que começam os mitos & lendas sobre processo criativo, mas fato é que estou apegada a todos eles, que são eus, que são outros, que são os que não fui e os que gostaria de conhecer ou de ter conhecido.