Mais fácil do que escrever um romance é escrever um conto, sendo esse “fácil” mera ilusão ligada ao tamanho de um e de outro. Digamos então que contos ruins são mais fáceis de escrever do que romances ruins. Ao menos a gente acaba mais rápido os primeiros do que os segundos e, como todos nós temos pressa de nos tornarmos escritores, hm, parece ótimo. Também é mais fácil que alguém leia um conto nosso do que um romance, quero dizer, para dar uma opinião. E escrever um romance inteiro para descobrir que está um lixo, bem… mais fácil escrever um conto.
E outra coisa colabora para que o conto seja o formato preferido do iniciante: são eles o objeto de trabalho das oficinas literárias, e não as narrativas longas (por motivos óbvios de tempo e pedagogia).
Mas há pessoas que nasceram para ser contistas, porque elas têm o que podemos chamar de idéias-conto. E, como resultado, seus contos são ótimos e profundos. É inegável que Raymond Carver não pode parar de escrever short stories, e que Cortázar se sai melhor nelas. Há pessoas também que não nasceram para ser contistas: elas têm idéias-romance, mas escrevem contos porque escrever contos é tomar fôlego para o que querem no fim alcançar, que é a narrativa longa.
Meu nome é Carol Bensimon, tenho 25 anos e comecei pelo conto. Mas sempre tive idéias-romance. Depois do conto fui para coisas mais pesadas, as novelinhas (o inhas para dizer que são um pouco menores do que uma novela habitual). Agora eu estou escrevendo um romance, ou uma novela (já bastam as discussões acadêmicas sobre a diferença entre os termos. Pegue o que soa melhor e esqueça).
Centenas de novidades no mundo romance. Personagens mais complexos, e em maior número. Uma ação que deve durar um bom tempo, conflitos que se abrem em outros, uma pista que se coloca e que só vai fazer sentido cinqüenta páginas adiante, enfim, tudo novo. Muitas páginas de notas, planos com canetas quatro cores, pesquisa sobre carros, sobre hockey, sobre plantão, sobre serrarias, sobre sinuca.
A idéia desse blog é discutir processo criativo, usando de ponto de partida a experiência que estou tendo com o Sinuca embaixo d’água. Não vou de maneira nenhuma entrar em coisas que dizem respeito à história do meu livro, porque seria ao mesmo tempo chato e estraga-prazeres.
Acho que assunto não vai faltar.
