December 18, 2008

Fim

Category: Uncategorized — bensimon @ 12:01 pm

Adiei isso por um tempo, mas deixar assim, sem atualizar, é pior: hoje oficialmente encerro as atividades por aqui. Acabei assumindo algumas coisas (um blog no qual devo postar com bastante regularidade, por exemplo) que me impedem de dar a esse blog a devida atenção. Ainda mais porque sempre fui bem rigorosa com os posts aqui. Gostava de levar tempo escrevendo-os, embasando-os, o que, você pode notar, foi-se perdendo ao longo do tempo. Como não quero continuar baixando a qualidade, é melhor terminar por aqui.
O romance também entrou numa fase delicada, que me permite pensar menos no processo, tamanho o trabalho e o cansaço que dá revisar, reescrever, enfim, trabalhar com o que já está criado, e saber o que se guarda, o que se descarta, e o que se muda de ordem (e o grande esforço que é enxergar o texto como maleável). Mas até isso eu acho que eu já disse em outra ocasião.
De todo o modo, ficam aqui os arquivos.
E, no carolbensimon.com, há tudo o que é necessário para me encontrar.
A próxima etapa é ministrar uma oficina. ;)
Gracias a todos.

November 24, 2008

Personagem-Leitor

Category: Uncategorized — bensimon @ 12:12 pm

“O interesse que sentimos pelos personagens não vem, portanto, daquilo que reconhecemos em nós mesmos (somente os romances mais grosseiros fazem uso desse processo), mas daquilo que aprendemos sobre nós mesmos. A verdade que emana de nossa interação com as figuras fictícias é, com muita freqüência, uma verdade ignorada. É a diferença, e não a semelhança, que permite descobrir-se. Os personagens mais interessantes são aqueles que vão ao encontro das supostas inclinações do leitor.”

Esse é um trecho do livro L’effet-personnage, de Vincent Jouve, infelizmente não traduzido para o português. Um ótimo livro teórico sobre as diversas relações que se estabelecem entre personagem e leitor, e sobre o modo como varia, ao longo de uma mesma leitura, a percepção do leitor frente aos personagens: do personagem como peão, ou seja, o leitor vê o personagem claramente como um elemento de um universo criado (o livro), que é o que a ficção pós-moderna com tendências META faz em demasia; ao personagem como aquele que transgride, que passa pela experiência pela qual o leitor desejaria passar, mas reprime (e portanto ele a vive através do personagem).

November 12, 2008

Post-Resposta

Category: Uncategorized — bensimon @ 2:30 pm

Epa. Venho para lançar umas frases confusas a respeito de um comentário, do Rodrigo Fortes, deixado no post aí de baixo. Reproduzo o comentário:

Engraçado essa conversa de forma e conteúdo. Apesar dos argumentos “prós” sou um pouco contrário a esse ponto de vista. Pergunto se o contrário é viável: o conteúdo muda a forma? Ou não, ele é somente alguma substância maleável que fica o tempo inteiro se modificando ao sabor da forma? No final Carol, parece-me que quem faz o conteúdo sou eu, que estou lendo o seu romance, e não você, que está fazendo a forma.

Claro, o conteúdo muda a forma. Os dois influenciam um ao outro, e acabam se tornando meio indissociáveis no processo. Para começo de conversa, o meu conteúdo determinou a minha forma: pela natureza da história que eu queria contar, pareceu-me que a melhor maneira de organizá-la seria num romance com vários narradores, porque assim eu poderia explorar a mesma história sob diversos pontos de vista. Obviamente, outros escritores chegariam a outras soluções, a outros caminhos. Seria, nesse caso, o mesmo conteúdo sob várias formas? Creio que, nesse ponto, a forma já teria provocado mudanças significativas no conteúdo, e as histórias seriam muito diferentes umas das outras; a organização é parte da história, a sintaxe é parte da história e, bom, isso é uma confusão dos diabos.
(quanto mais penso sobre isso, mais percebo que é mesmo impossível separar forma e conteúdo)
E o leitor? Tem uma participação criadora também, por certo. A obra é aberta, mas nem por isso é possível ao leitor recheá-la de qualquer significado. A obra põe os seus limites, e o leitor se movimenta livremente nela (mas sempre, de maneira paradoxal, dentro desses limites impostos).

(mau-humor básico de quem não está conseguindo resolver uma pendenga de certo capítulo - o 9, minha gente, a recém o 9! E mau-humor me faz perder clareza, e lá se vai o modo cartasiano. trágico)

October 7, 2008

Saí, já volto

Category: Uncategorized — bensimon @ 10:36 am

Voltarei em breve (e também ao romance). Só questão de chegar a Internet em casa.

September 24, 2008

Aham

Category: Uncategorized — bensimon @ 12:02 am

“With writing, we have second chances”.

(Everything is illuminated, Jonathan Safran Foer)

September 5, 2008

De quem é a culpa?

Category: Uncategorized — bensimon @ 12:05 am

Eu gosto de listas, e gosto de promoções, portanto, quando fui ao Rio, comprei um belo capa dura papel couché chamado 501 must-read books, por $39. Surpreendeu-me, positivamente, o fato de que nunca ouvi falar de muitos daqueles livros. Sem fugir de Grande Gatsby, Som e a Fúria, Ficções, Madame Bovary e etc, há também uma porção de coisas bem atuais (anos 2000, inclusive), ainda não canônicas. As resenhas, que não são propriamente resenhas, mas uma espécie de sinopse do livro, são bem ruins, mas aí volto com o argumento do adoro listas e não importa qual e como.
Bem, mas o que eu ia dizer de verdade é que estava folhando o 501 must-read books e encontrei um chamado The Sweet Hereafter (O Doce Amanhã), de Russel Banks. É a história de um acidente com um ônibus escolar, numa pequena cidade da Nova Inglaterra, no qual uma porção de crianças morrem, e o acidente e suas conseqüências na comunidade são contados por quatro narradores diferentes. Achei bem próximo do Sinuca (tema & múltiplos narradores), e por isso fui atrás pra ver se me ajudava a resolver uma coisa ou outra. Estou no início, mas já deu pra sacar que vai ser uma boa leitura. Fazendo um link com o post anterior: a cidade é muito bem caracterizada, quero dizer, não só no aspecto geográfico, mas nas relações entre os habitantes, relações típicas de cidade pequena. O primeiro parágrafo é bastante bom:

“Um cachorro - foi um cachorro que eu vi, com certeza. Ou achei que vi. Estava nevando muito na hora, e na neve a gente vê coisas que não estão lá, ou não estão exatamente lá, mas também deixa de ver algumas das coisas que estão lá, de modo que quando a gente vê qualquer coisa, meu Deus, acaba por reagir de alguma forma, errando para o lado materno, se é que você consegue captar o que estou querendo dizer. É esta a minha experiência de motorista, mas também o meu temperamento enquanto mãe de dois filhos crescidos e mulher de um inválido; assim, pelo menos quando erro, erro do lado dos anjos.”

A certa altura da sinopse, na contracapa, está escrito: “…quando o pior acontece, de quem é a culpa?”. Imediatamente me lembrei de Enduring Love (Amor para Sempre), do Ian McEwan, e do quanto gosto daquele livro (na verdade, o que gosto mesmo é a primeira cena, uma das melhores já escritas). A pergunta ao longo de Enduring Love é a mesma: de quem é a culpa? Talvez a pergunta do Sinuca também seja De quem é a culpa? E fiquei pensando mesmo que sou um pouco obcecada com isso, com morte, com culpa, com arrependimento, mesmo antes da vida maldosamente ter me dado um exemplo real.

Update: terminei o primeiro capítulo de O Doce Amanhã e sabe quando é indispensável respirar fundo, ficar parada por alguns minutos e continuar lendo só no dia seguinte, porque até o momento já pesou uma tonelada? Pois.

July 22, 2008

Percebi

Category: Uncategorized — bensimon @ 11:04 pm

Meu tempo não é linha reta, é circular. Quando eu tiver uns dez livros publicados, é muito provável que todos eles vão estar dizendo isso, de dez maneiras diferentes.

June 30, 2008

Estímulos visuais

Category: Uncategorized — bensimon @ 8:57 pm

Desculpa aí se pesar nos respectivos computadores, mas separei umas imagens aqui que me ajudaram no processo criativo do romance. Pra quase tudo que surge, procuro imagem. A maioria roubo do flickr, e se me pedirem os créditos, jamais saberei informar. Uma dessas aí roubei do orkut. E as duas últimas são do Gabriel Pillar.

catavento.jpg

hockey05.jpg

roubada_gasometro.jpg

lion_500.jpg

sinuca01_500.jpg

sinuca02_500.jpg

April 16, 2008

Perdão

Category: Uncategorized — bensimon @ 2:49 pm

Il y a un jour, inévitable, où il faut s’excuser d’écrire. Écrire n’est pas correct.
(Chega um dia, inevitável, que é preciso desculpar-se por escrever. Escrever não é correto.)

Gilles Leroy, em Alabama Song. Sublinhei assim, meio sem saber. Por instinto.